As potencialidades do turismo capixaba e como ela pode ser explorada foram o mote da audiência pública realizada pela Assembleia Legislativa (Ales) nesta quarta-feira (15) com a presença de entidades ligadas à área e também do poder público. A iniciativa para debater o tema partiu da Comissão de Turismo e Desporto da Casa.
O presidente do colegiado, Amaro Neto (SD), explicou que reuniu os segmentos para saber das dificuldades e experiências no intuito de desenvolver essa atividade no Espírito Santo. “Existe um potencial incrível em muitos municípios para a através do turismo gerar emprego e renda”, projetou. Mas, segundo ele, é preciso tirar as ideias do papel e colocá-las em prática.
Um dos convidados para audiência foi o secretário de Estado de Turismo José Sales Filho, que apresentou alguns números relativos ao último verão e também revelou iniciativas que o governo espera implementar para melhorar a atratividade de visitantes. Entre elas, destacou o uso do “big data” de uma companhia de telefonia móvel para conhecer o perfil do turista.
“Estamos negociando com a Vivo o uso do big data. Aqui no Espírito Santo é a maior operadora (mais de 70% do mercado). Com essa informações, vai ser o primeiro modelo de pesquisa e de informação com o big data de uma empresa de telefonia no Brasil. Nós vamos saber por exemplo: a Festa da Penha traz turista ou não? De onde elas são?” explicou.
Verão morno
Sobre a pesquisa da temporada de verão, o secretário destacou que o número de turistas em 2016 foi menor que em 2015. No entanto, ponderou que eles tiveram um gasto médio maior, assim como tempo de permanência mais elástico. A crise econômica e os rejeitos da lama de minério que acometeu parte da costa capixaba foram pontuados por ele como os motivos.
O estudo identificou os municípios de Vitória, Serra, Cachoeiro de Itapemirim, Guarapari e Aracruz como os cinco destinos mais comuns. Entre os turistas no verão deste ano, 30,5% ficaram na casa de amigos (ao passo que 22,4% alugaram residência), além disso, 68,9% usaram automóvel para chegar até aqui, contra 19,6% que utilizaram avião.
Aeroporto no prazo
Parte importante na infraestrutura de logística, o novo aeroporto em Vitória não foi esquecido. O superintendente da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) João Marcos Coelho Soares falou sobre o status das obras, que se iniciaram junho de 2015, com previsão de entrega em setembro de 2017. “Estamos com a obra exatamente dentro do cronograma”, frisou.
Soares detalhou as intervenções que envolvem a base da cabeceira da pista, fundação do terminal de passageiro, o sistema de pátio, entre outras. Quando tudo ficar pronto, afirmou, a área total do terminal passará de 6 mil para 31 mil metros aproximadamente e terá capacidade de receber 8,4 milhões de passageiros por ano (atualmente essa quantidade é de 3,3 milhões).
O superintendente tocou na questão ambiental. De acordo com ele, a área de ruído mudará na medida em que 80% do movimento do aeroporto será direcionado à Praia de Camburi (por conta da localização da nova pista), tirando esse incômodo dos bairros vizinhos, como Goiabeiras e Mata da Praia. “A zona de ruído ficará praticamente sobre o mar”, disse.
Novidades
O empresário Valdeir Nunes dos Santos cobrou novidades na área do turismo para atrair visitantes. Ele citou um projeto que se tornou realidade em Balneário Camboriú (SC), onde os visitantes podem andar de bondes aéreos. Um dos problemas, conforme observou, é a falta de continuidades nas ações por parte do poder público. “Muda o governo começa tudo de novo”.
“O grande problema nosso é que só falamos, as coisas são muito difíceis de acontecer, os empresários estão cansados com isso”, salientou. “O Espírito Santo precisa ter uma identidade turística, falta um grande centro de convenções, o centro cultural, as pessoas querem lazer”, sugeriu.
Turismo de evento
“O evento é uma porta de entrada do nosso turista”, ressaltou o diretor-presidente Associação Brasileira das Empresas de Evento (Abeoc), Cláudio Cardoso. Em sua concepção, faltam iniciativas para estimular as empresas a investirem nesse segmento. “O turista quando vem, vem provocado por duas maneiras: lazer ou eventos”, analisou.
O diretor de relacionamento da Convention Bureau, Fabiano Ongaratto concordou. “Quando a gente fala de turismo de negócio e evento e turismo de lazer, às vezes a gente separa e coloca um muito distante do outro. E com o passar do tempo a gente está vendo que essas modalidades de turismo estão se aproximando cada vez mais”.
De acordo com ele, hoje as pessoas estão aproveitando para fazer o lazer durante o turismo de negócio e evento devido à crise. “A pessoa vem fazer negócio em Vitória, se estende mais dois três dias, aproveitando a estrutura que o local oferece”, detalhou.
Participação
Quando os microfones foram liberados, os presentes destacaram as dificuldades e apresentaram soluções na área. Orlando Fernandes, da Associação Brasileira de Turismólogos e Profissionais do Turismo (ABBTUR), sugeriu o investimento em aeroportos regionais, a implantação da ferrovia rápida litorânea, e a volta do aquaviário, por exemplo, para facilitar o deslocamento.
No entendimento da Tereza Stange, da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), é necessário preparar melhor os agentes de viagem e criar um calendário unificado anual dos eventos capixabas para ajudar a vender os pacotes com antecedência.
Para o diretor da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) Gustavo Guimarães, o potencial turístico capixaba deixa muitas vezes de ser incrementado por falta de informação. Ele cobrou uma política pública de médio/longo prazo. “Não precisamos que a gestão pública carregue a hotelaria nas costas, precisamos que nós consigamos apoio político para que a gente possa fazer o nosso negócio andar”, concluiu.
A audiência contou com a participação ainda da representante da Associação Brasileira de Turismólogos e Profissionais de Turismo (ABBTUR), Berenice Tavares. Ela leu uma carta em que cobrou oito ações para estimular a atividade. Ao fim da reunião, Amaro Neto adiantou que a comissão fará um relatório completo da audiência e já deixou novo encontro marcado para o fim do ano.
Marcos Bonn/Web Ales
(Reprodução autorizada mediante citação da Web Ales)